Em 2026, o discurso de que a inteligência artificial seria a resposta definitiva para cortar custos trabalhistas começa a esbarrar na realidade dos balanços. Durante entrevista ao site Axios, Bryan Catanzaro, vice-presidente de deep learning aplicado da Nvidia, afirmou que o gasto com computação já ultrapassa, e muito, o valor desembolsado com funcionários em sua própria equipe.
A fala do executivo ecoa no momento em que gigantes de tecnologia seguem promovendo demissões em massa. Na última semana, Meta e Microsoft anunciaram novos cortes, contribuindo para as mais de 92 mil demissões contabilizadas pelo Layoffs.fyi só no início deste ano — ritmo que pode igualar os 120 mil desligamentos de todo o ano passado.
Por que a conta não fecha
Um estudo do MIT, publicado em 2024, já havia previsto o impasse: a IA só vale financeiramente em 23% dos cargos analisados. Nos outros 77%, manter um profissional humano ainda sai mais em conta.
Mesmo assim, o setor corporativo pisa no acelerador. A Morgan Stanley projeta que os investimentos em infraestrutura de IA chegarão a US$ 740 bilhões (cerca de R$ 3,7 trilhões) até o fim de 2026, alta de 69% em relação a 2025. Já a McKinsey estima gastos globais de até US$ 7,9 trilhões até 2030, somando data centers, equipamentos e energia.
Na prática, gestores já sentem o peso. O CTO da Uber, Praveen Neppalli Naga, admitiu ter estourado o orçamento depois de adotar o Claude Code, ferramenta de programação da Anthropic.
Alívio só a médio prazo
A consultoria Gartner prevê queda superior a 90% no custo de inferência para modelos com 1 trilhão de parâmetros nos próximos quatro anos, graças a melhorias em hardware e software. Até lá, porém, analistas indicam que a IA deve ser vista como apoio estratégico, e não como tábua de salvação para reduzir despesas trabalhistas.
Enquanto a matemática não favorece, o mercado passa a encarar a tecnologia com mais cautela, equilibrando a necessidade de inovação com a sustentabilidade das contas.
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Perguntas frequentes
1. Por que a IA ainda é tão cara?
Treinar e rodar modelos exige placas de vídeo de alto desempenho, clusters de data centers e consumo energético expressivo. Esses itens representam gastos recorrentes, diferentes do custo fixo de um salário.
2. Vale a pena substituir funcionários por IA hoje?
Segundo o MIT, apenas 23% dos cargos têm ganho financeiro claro. Para as demais funções, a troca tende a sair mais cara ou, no mínimo, a não gerar economia imediata.
3. Quando os custos devem cair?
Consultorias apontam reduções significativas até 2030, principalmente na etapa de inferência. Mesmo assim, especialistas recomendam cautela e análises caso a caso.
Tabela rápida: ações ligadas à IA e o que analisar
| Empresa | Ticker | Exposição à IA | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|
| Nvidia | NVDA | Fabricação de GPUs e software CUDA | Receita concentrada em data centers |
| Microsoft | MSFT | Azure, parceria com OpenAI | Capex elevado em nuvem |
| Meta | META | Modelos de linguagem (Llama) e AI Studio | Dependência de publicidade |
| Alphabet | GOOGL | TPUs, Google Cloud AI | Competição crescente em busca |
Este quadro tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.
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