A inteligência artificial deixou de ser tendência para ocupar o centro da experiência on-line. Dados do relatório “Digital 2025 – Definindo o rumo para 2026”, da Comscore, mostram que em 2025 os assistentes baseados em IA avançaram de forma consistente: 48% de penetração em desktop e 38% em mobile. Ferramentas como ChatGPT e Gemini mais que dobraram seus indicadores de uso no acumulado do ano.
Esse crescimento altera o ponto de partida da jornada do consumidor. A busca tradicional perde espaço para interfaces conversacionais que atuam como camada intermediária entre usuários, conteúdo e marcas. A descoberta de produtos e serviços passa a ser contextual, rápida e com menos atrito, impactando diretamente a decisão de compra.
IA gera audiências adicionais
Um dos sinais da mudança é a “incrementalidade” proporcionada pelas respostas automatizadas. Estudos citados no relatório indicam que a simples presença de uma marca em menções geradas por IA pode dobrar a audiência em relação à base original. O Brasil continua relevante nesse cenário, com 131 milhões de visitantes únicos em um universo global de 1,8 bilhão de usuários.
Redes sociais seguem no comando
Não é só a IA que mexe com a paisagem digital. O vídeo explodiu nas redes, somando 90 bilhões de visualizações em 2025 no país, alta de 129% puxada pelo TikTok. Paralelamente, o YouTube ganhou espaço na TV conectada e já concentra mais da metade do tempo de consumo nesse ambiente, crescendo 19% entre 2024 e 2026.
Influenciadores respondem por 36% de todas as interações globais. No Brasil, Virginia Fonseca e Leo Dias figuram entre os perfis mais engajados e as postagens com a hashtag #publi totalizaram 425 milhões de interações. Outro fenômeno é o das novelas verticais: séries curtas pensadas para o smartphone que já ultrapassaram 65 milhões de views, abrindo espaço para conteúdo de marca.
Esporte e eventos ao vivo mantêm tração
A apresentação de Lady Gaga em Copacabana somou 41,7 milhões de interações e 128,4 milhões de views. No futebol, o Mundial de Clubes de 2025 gerou 7,5 bilhões de interações globais, com o Brasil liderando o ranking por país. O esporte alcança 667 milhões de visitantes únicos no mundo (37% de alcance) e distribui a audiência entre transmissões ao vivo, clipes curtos e debates em redes sociais.
Varejo: tráfego cada vez mais mediado por IA
Entre gigantes como Amazon, Walmart, Mercado Livre e Shopee, o acesso via assistentes de IA em desktop saltou 181% em um ano. O volume total de visitantes nos sites de varejo da América Latina permanece estável, mas a origem do tráfego mudou: agora vem, principalmente, de recomendações automatizadas que já comparam preços, destacam benefícios e empurram o consumidor diretamente para o carrinho.
Quatro sinais para 2026
O relatório aponta que, nos próximos dois anos, devemos observar:
Imagem: Internet
- IA consolidada como principal porta de entrada para o consumo digital;
- Público mais dinâmico, alternando dispositivos, plataformas e formatos sem aviso prévio;
- Marketing de influência evoluindo para modelos híbridos, com criadores virtuais e parcerias de longo prazo;
- Necessidade de métricas novas, capazes de medir valor incremental em um ambiente cada vez mais fragmentado.
Conclusões e insights
Para as marcas, o desafio não é mais apenas estar presente on-line, mas garantir que algoritmos entendam e priorizem seus produtos. A competição migra da vitrine física para o ranking das respostas automatizadas.
Perguntas frequentes
1. A busca tradicional vai acabar?
Não, mas tende a perder relevância. O usuário seguirá consultando motores de busca, porém o primeiro contato com a informação será, cada vez mais, filtrado por IA.
2. Vale investir em influenciador virtual?
Sim, sobretudo para campanhas de longo prazo. Influenciadores digitais podem ser programados para interagir 24/7 e seguir o tom da marca com precisão.
3. Como medir o tráfego vindo de assistentes de IA?
Ferramentas de analytics já captam parte desse fluxo, mas métricas customizadas — como incrementalidade de audiência — serão indispensáveis.
Tabela de tendência das varejistas listadas
| Empresa | Ticker | Tendência de tráfego via IA | Pontos de atenção |
|---|---|---|---|
| Amazon | AMZN | Alta contínua | SEO para respostas conversacionais |
| Walmart | WMT | Crescimento moderado | Integração omnichannel |
| Mercado Livre | MELI | Expansão regional | Logística pós-venda |
| Shopee | SE | Volatilidade | Guerra de preços |
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